Agrishow 2026: Recuo histórico de 25% nas vendas desafia o setor após uma década de altas
Agrishow 2026: Recuo histórico de 25% nas vendas desafia o setor após uma década de altas Queda de 25% nas intenções de negócios reflete cenário de juros altos e cautela política. / Foto: Divulgação / Agrishow (via Política Livre).

Pela segunda vez em 31 anos, feira registra queda nominal de negócios; juros e câmbio pressionam, mas inovação garante fôlego para marcas brasileiras.
Agrishow 2026: Recuo histórico de 25% nas vendas desafia o setor após uma década de altas

A Agrishow 2026 encerrou suas atividades em Ribeirão Preto (SP) com um balanço que marca um divisor de águas para o agronegócio brasileiro. Segundo dados consolidados pela Abimaq, o evento gerou R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios — um recuo de 25% em relação aos R$ 15,2 bilhões (valor corrigido pela inflação) registrados no ano passado.

Este é apenas o segundo revés comercial nos 31 anos de história da feira. O único precedente semelhante ocorreu em 2015, quando as vendas caíram 30%. O cenário de 2026, embora desafiador, reflete uma conjuntura externa e interna complexa, marcada pela alta taxa de juros e pela desvalorização das commodities.

O Raio-X do Maquinário

A retração foi sentida de forma desigual entre os segmentos. Dados da câmara de máquinas da Abimaq revelam que o primeiro trimestre de 2026 foi particularmente rígido para equipamentos pesados:

  • Colheitadeiras: Queda drástica de 40,62% nas vendas nacionais.
  • Tratores: Recuo de 8,64%, com 9.215 unidades comercializadas.

"Este cenário é decorrente da alta taxa de juros, da variação cambial e do preço desfavorável das commodities", explica Pedro Estevão, presidente da câmara de máquinas da Abimaq.

Pontos de Superação: Inovação que Vende

Apesar da "maré baixa" nos números globais, empresas que apresentaram soluções de alto valor agregado e sustentabilidade conseguiram resultados surpreendentes.

A Tritucap, empresa de Sertãozinho (SP), tornou-se o grande case de sucesso desta edição. Em seu retorno à feira após sete anos, a marca triplicou sua meta ao comercializar 31 máquinas para erradicação sustentável de café, com outras 27 negociações em estágio avançado. O sucesso prova que, mesmo com o crédito restrito, o produtor está disposto a investir em tecnologias que substituam práticas arcaicas (como a queima) e tragam eficiência real.

Outras marcas também reportaram otimismo:

  • XCMG Brasil: Registrou alta de 10% nos negócios, impulsionada pelo lançamento de novos tratores sobre esteiras.
  • Herbicat: Captou mais de 300 novos contatos qualificados, estimando que 20% se convertam em vendas imediatas no pós-feira.
  • Banco do Brasil: Apesar da cautela inicial, o banco superou sua meta de propostas financeiras, reafirmando o papel do crédito como motor de sustentação para o setor.

Vitrine de Resiliência

Com a visitação mantida na casa das 197 mil pessoas, a Agrishow provou que, independentemente da oscilação financeira, continua sendo a vitrine indispensável do agro mundial. O foco agora se volta para a adaptação estratégica do produtor rural diante das incertezas políticas e econômicas, visando a retomada para a edição de 2027.


Fonte Original: Conteúdo reestruturado com informações do portal Política Livre, com dados técnicos fornecidos pela Abimaq e Banco do Brasil.